Ansiedade e perimenopausa: como reconhecer gatilhos e montar um plano de autocuidado

A perimenopausa é uma fase de transição natural que pode começar anos antes da menopausa e trazer mudanças hormonais importantes. Para muitas mulheres, esses ajustes vêm acompanhados de sintomas como ondas de calor, alterações no sono, variações de humor e, com frequência, ansiedade. Se você tem notado um “aceleramento” interno, preocupações constantes ou sensação de alerta sem motivo claro, pode ser que a perimenopausa esteja contribuindo. A boa notícia: há estratégias práticas e eficazes para entender seus gatilhos e construir um plano de autocuidado que funcione para sua rotina.

O que é a perimenopausa e por que ela pode aumentar a ansiedade

  • Oscilações hormonais: Quedas e picos de estrogênio e progesterona afetam neurotransmissores como serotonina e GABA, limitadas à regulação do humor e do sono.
  • Sono fragmentado: Insônia, despertares noturnos e suores noturnos aumentam a reatividade emocional durante o dia.
  • Estresse cumulativo: Trabalho, cuidado com filhos/pais, mudanças na carreira e imagem corporal formam um “caldo” que amplifica a ansiedade.
  • Sintomas físicos que confundem: Palpitações, tremores e ondas de calor podem ser interpretados como crise de pânico, gerando ciclo de medo-ansiedade.

Como refletir seus gatilhos de ansiedade

  • Observe os padrões de ciclo: Observe se os sintomas pioram na fase final do ciclo menstrual (queda hormonal) ou virão a menstruações mais espaçadas.
  • Mapeie contextos: Situações específicas (reuniões, trânsitos, conflitos) disparam sintomas? Que horas do dia costumam ser mais difíceis?
  • Monitorar o sono e a cafeína: Noites curtas, consumo de café/energéticos após o meio dia e álcool no fim do dia são gatilhos comuns.
  • Percepção corporal: Quais sinais aparecem primeiro? Aperto no peito, respiração curta, calor repentino, ruminação mental?
  • Diário rápido de 3 minutos: Anote “situação — pensamento — emoção — ocorrência — intensidade (0–10)”. Em 2 semanas, você verá padrões claros.

Diferenciando ansiedade da perimenopausa x transtorno de ansiedade

  • A ansiedade situacional/hormonal tende a vir em ondas associadas às mudanças do ciclo e melhora com sono e manejo do estresse.
  • Sinais de alerta para avaliação profissional: ansiedade quase diária por mais de 6 meses, prejuízo funcional relevante, ataques de pânico recorrentes, pensamentos intrusivos persistentes, depressão associada ou ideação suicida. Procure um(a) profissional de saúde.

Seu plano de autocuidado em 5 camadas

  1. Fundamentos físicos
  • Sono: rotina consistente (mesmo horário para deitar/levantar), quarto fresco e escuro, evitar telas 60 min antes. Experimente banho matinal seguido de quarto fresco para reduzir a mortalidade.
  • Cafeína e álcool: limite de cafeína até 12h–13h; reduz o álcool, especialmente à noite (piora o sono e os fogachos).
  • Movimento: 150 min/semana de atividade aeróbica moderada + 2 sessões de força. Exercícios de força ajudam sono, humor e composição corporal.
  • Nutrição: priorize proteínas (1,0–1,2 g/kg/dia), fibras, frutas/vegetais coloridos, magnésio e ômega-3 na alimentação. Hidrate-se.
  1. Reguladores do sistema nervoso (práticos e rápidos)
  • Respiração 4-6: expire mais longo que inspire (ex.: 4s inspirar, 6s expirar) por 5 minutos para excitar o sistema.
  • Técnica 5-4-3-2-1: ancore-se nos sentidos para interromper ruminações.
  • Relaxamento muscular progressivo: contraia/relaxe grupos musculares por 10–15 minutos antes de dormir.
  • “Caixa de frescor”: lenço umedecido frio, spray facial ou bolsa de gel ajudam em ondas de calor e dão sensação de controle.
  1. Higiene mental e emocional
  • Limites digitais: define “ilhas sem notificações” (ex.: 2 blocos de 90 min/dia).
  • Agenda de preocupações: 15 minutos/dia para listar preocupações; fora desse horário, anote e retome no bloco. Reduza a ruminação.
  • Autocompaixão: fale consigo como falaria com uma amiga. Substitua “eu deveria dar conta” por “estou fazendo o melhor com o que tenho hoje”.
  1. Estratégias cognitivas
  • Reestruturação de pensamentos: troque “isso vai ser um desastre” por “posso me preparar e usar minhas ferramentas; já superei antes”.
  • Microplanejamento: quando a ansiedade vem do excesso de tarefas, use a regra 1-3-1 para o dia: 1 prioridade principal, 3 médias, 1 pequena.
  • Exposição graduada: para gatilhos específicos (apresentações, direção), praticados em níveis crescentes, celebrando pequenos avanços.
  1. Rede de suporte e cuidado profissional
  • Conversas abertas: explique aos próximos o que é perimenopausa e como podemos apoiar (ex.: silêncio na hora de dormir, dividir tarefas).
  • Terapia: TCC, terapia de facilidades e compromisso (ACT) e mindfulness têm boa evidência para ansiedade.
  • Avaliação médica: discuta opções como ISRS/SNRIs em doses baixas, terapia hormonal da menopausa (quando indicada e segura), manejo de fogachos e insônia. Verifique tireoide, ferro, B12 e vitamina D conforme orientação clínica.

Mini-rotina SOS para momentos de pico

  • 60 segundos de respiração 4-6
  • Água fresca + spray facial
  • Técnica 5-4-3-2-1
  • Repetição breve: “É desconfortável, não perigoso. Vai passar.”
  • Caminhada de 5–10 minutos se possível

Como acompanhar progresso

  • Escala semanal (0–10) de ansiedade, sono, energia e humor.
  • Dois indicadores objetivos: número de despertares noturnos e consumo de cafeína/álcool.
  • Ajuste a cada 2 semanas: rápido o que funcionou, troque o que não funcionou.

Mitos comuns

  • “É fresco” — Não. É fisiológico e validado por evidências.
  • “Só passa quando a menopausa chega” — Muitos sintomas melhoram com hábitos, terapia e, quando indicado, medicação/Terapia Hormonal.
  • “Exercício piora a ansiedade” — Sessões adequadas e regulares tendem a reduzir sintomas ao longo do tempo.

Checklist prático (salve no celular)

  • Dormi 7–8h? Café só até 13h? Movimento de 20–30 min hoje?
  • Pausa de respiração 2x de 5 min
  • Limites digitais por 90 min
  • Tarefas 1-3-1
  • Contato com alguém de confiança

Lembre-se: você não está sozinho. A perimenopausa é uma fase, não uma falha. Com autoconhecimento, pequenas mudanças consistentes e suporte adequado, é possível reduzir a ansiedade e atravessar esse período com mais equilíbrio, beleza e presença.

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Um abraço Luci Lopes

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